porque existimos
Acompanhar criticamente as transformações do mundo do trabalho, revelando seus impactos sobre a vida, a saúde e a dignidade da classe trabalhadora, e contribuindo para a construção de alternativas emancipadoras. Como espaço plural, democrático e comprometido com a justiça social, o Observatório atua em diálogo permanente com movimentos sociais, populares e sindicais, afirmando o trabalho como dimensão histórica a ser transformada e defendendo o direito à vida plena para além da sua subordinação às lógicas do mercado.
onde queremos chegar
Ser referência acadêmica e social, nacional e internacional, na análise crítica e prospectiva das transformações do mundo do trabalho, contribuindo para o fortalecimento das lutas da classe trabalhadora e para a construção de formas socialmente justas, saudáveis e sustentáveis de produzir e reproduzir a vida, afirmando o direito à vida plena para além da centralidade exclusiva do trabalho subordinado.
como atuamos
Pautar-se pela defesa da vida e da saúde da classe trabalhadora, analisando criticamente as tendências, riscos e desigualdades estruturais. Com autonomia ética e valorizando a ecologia dos saberes, o Observatório articula universidade e movimentos sociais em prol da transformação, construindo alternativas e políticas públicas que sobreponham a dignidade humana aos interesses do mercado.
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Coordenador Geral
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O “Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora” foi aprovado pela Comissão de Pesquisa e Inovação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo, em novembro de 2023, inicialmente como um Projeto de Pesquisa apresentado pelo Prof. René Mendes, em sua candidatura ao programa de Pesquisador Colaborador, com duração inicial de 3 (três) anos.
“Grupo de Estudo”
Como previsto no próprio Projeto de Pesquisa, e em resposta ao pedido encaminhado em 14 de fevereiro de 2024, a Comissão de Pesquisa e Inovação do IEA/USP aprovou, em seguida, a criação de um “GRUPO DE ESTUDO” vinculado ao referido “Observatório”, para o seu apoio e viabilização, em harmonia com as normativas da Universidade de São Paulo, as quais estabeleciam que
“Os grupos de estudos, mais flexíveis que os de pesquisa, acolhem projetos embrionários ou exploratórios de novas temáticas. De caráter interdisciplinar, esses grupos são compostos por professores (vinculados à USP ou não), alunos de graduação e pós-graduação e representantes de instituições não acadêmicas.”[1]
Com efeito, a Comissão de Pesquisa e Inovação do IEA/USP, em declaração formal datada em 18 de março de 2024, considerava aprovada a criação do referido GRUPO DE ESTUDO, com base na aprovação integral do Projeto de Pesquisa, ocorrida em 5 de novembro de 2023, posto que o Projeto de Pesquisa já previa a sua criação. Assim, a partir de 18 de março de 2024, consideramos institucionalizada a criação do GRUPO DE ESTUDO do “Observatório”, que transformou um projeto individual (do “pesquisador colaborador”) em um projeto coletivo, isto é, do GRUPO DE ESTUDO. Naquela ocasião, o GRUPO DE ESTUDO era constituído por 57 pessoas integrantes. Ao final de 2024, 103 pessoas integravam o GRUPO DE ESTUDO, e em dezembro de 2025, 143 pessoas.
Mudança de nome
Até o final de 2024, este “Observatório” vinha sendo denominado “Observatório dos impactos das novas morfologias do trabalho sobre a vida e saúde da classe trabalhadora”. Vínhamos sendo criticados, inclusive pela área de Comunicação do IEA/USP, a respeito da extensão (tamanho) do título, constituído por 16 palavras, 88 caracteres sem espaços e 103 caracteres com espaços. Por certo, um problema em termos de comunicação e identidade.
Além disto, como parte de um processo de amadurecimento e evolução, reconhecemos, no final de 2024, que o título não apenas era longo, um tanto árido e impronunciável, como, a rigor, poderia estar contendo um erro conceitual, que poderia e deveria ser retificado. A nocividade das ‘novas’ morfologias do trabalho e a das ‘velhas’ morfologias do trabalho são faces da mesma moeda!
Nesta mesma linha de raciocínio, reconhecíamos, então, que em termos de “impactos nocivos”, as ‘velhas’ e as ‘novas’ morfologias do trabalho não se diferenciam umas das outras, na constituição de sua natureza. Pelo contrário: como as morfologias ‘velhas’ e ‘novas’ se retroalimentam mutuamente – as ‘novas’ têm o ‘velho’ e perverso em seu DNA – e se necessitam e se complementam por serem de mesma natureza e mesma índole, assim também se expressam as respectivas nocividades.
Julgamos oportuno mencionar a ousada e contra hegemônica tese do grande sociólogo brasileiro Francisco (Chico) de Oliveira (1933-2019), expressa em sua obra Crítica à Razão Dualista. O ornitorrinco[2], de que a expansão do capitalismo no Brasil se dá introduzindo relações novas no arcaico e reproduzindo relações arcaicas no novo, configurando uma relação não apenas desigual, mas também combinada.
Para Oliveira (2003):
“A originalidade consistiria em dizer que – sem abusar do gosto pelo paradoxo – a expansão do capitalismo no Brasil se dá introduzindo relações novas no arcaico e reproduzindo relações arcaicas no novo, um modo de compatibilizar a acumulação global, em que a introdução das relações novas no arcaico libera força de trabalho que suporta a acumulação industrial-urbana e em que a reprodução de relações arcaicas no novo preserva o potencial de acumulação liberado exclusivamente para os fins de expansão do próprio novo.” (Oliveira, 2003. p.60)
Esta simbiose, mútua dependência, retroalimentação contínua entre o ‘velho’ e o ‘novo’, entre as ‘velhas’ e as ‘novas’ morfologias do trabalho pode ser exemplificada de múltiplas formas ou abordagens, e aqui o fazemos por uma das características mais típicas da lógica capitalista – velha, nova e de sempre – que é a intensificação do trabalho[3]. Ela pode ser vista como ‘nocividade horizontal’ ou ‘transversal’, onipresente e ubíqua e ‘transgeracional’, com o correspondente espectro de impactos sobre a vida e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.
Frente a estas ponderações (selecionas para o Relatório de Atividades Ano 1), formalizamos, então, a mudança de nome ou título do “Observatório”, com título mais abreviado (título com 7 palavras, 43 caracteres sem espaços, e 49 caracteres com espaços), para a atual denominação de “Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora”.
[1] http://www.iea.usp.br/pesquisa/grupos-de-estudo
[2] OLIVEIRA, Franscisco. Crítica à razão dualista: o ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2003.
[3] DAL ROSSO, Sadi. Mais trabalho: a intensificação do labor na sociedade contemporânea. São Paulo: Boitempo, 2008. BASSO, Pietro. Tempos modernos, jornadas antigas: vidas de trabalho no início do século XXI. Trad. Patrícia Vilen. Campinas: Editora Unicamp, 2018.