A minha trajetória acadêmica é ao mesmo tempo minha trajetória militante. Elas se permeiam, entrecruzam, principalmente sob o olhar da Sociologia, a universidade sempre esteve de encontro com o vivenciar das experiências de luta pela terra junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra,
Meu primeiro contato com os assentamentos de reforma agrária se deu no ano de 2006 quando cursava a graduação de Ciências Sociais na UFSCar. No período, minha monografia abordou a temática da questão agrária e o Estado, mais especificamente sobre as audiências públicas para a realização do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre os assentados e assentadas do PDS da Barra, o Ministério Público e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Ainda durante a graduação inicio o acompanhamento das turmas realizadas pelo PRONERA por indicação do MST, em 2027 a turma de Ensino Médio Técnico em Agroecologia parceria com a Unicamp, em 2008 o Curso de Pedagogia da Terra em parceria com a UFSCar.
Em 2011, indicada pelo MST, realizei a especialização em Trabalho, Educação e Movimentos Sociais, curso realizado em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz e o MST. Nesta, aprofundei o estudo sobre as ações do agronegócio em seus componentes ideológicos, a partir de um projeto desenvolvido nas escolas da região de Ribeirão Preto, intitulado “Projeto Agronegócio na Escola”.
Após este período me afastei da universidade e me dediquei às tarefas junto ao MST, durante três anos atuei na Escola Nacional Florestan Fernandes participando dos cursos e formações. Quando retornei as tarefas junto ao MST SP participei da direção estadual pelo setor de educação, na articulação principalmente da Política de Educação do Campo no estado de São Paulo.
Volto à universidade em 2017, ano que ingressei no mestrado na UNESP com um estudo sobre “Os impactos socioambientais da mineração: um estudo sobre o polo mineroquímico em Cajati – SP”. Este me aproximou das leituras e me reafirmou a urgência de um aprofundamento na temática ambiental, seus impactos e crimes.
Após quase dez anos do término da minha graduação retorno a UFSCar em 2019, agora no programa de pós-graduação em Sociologia. O intuito inicial era continuar os estudos realizados no mestrado sobre a temática da mineração aprofundando-a em um estudo sobre a composição da fração de classe do setor mineral
e suas estratégias de atuação. Contudo, alguns fatores comprometeram a continuidade desta pesquisa. Entre eles a pandemia, que inviabilizou a possibilidade de campo e gerou um afastamento do objeto.
Alguns fatores como minha aproximação ao Grupo de Pesquisa Ruralidades, Ambiente e Sociedade (RURAS); a participação no projeto “Nas franjas do progresso. Efeitos socioambientais da produção canavieira nos estados de Alagoas e São Paulo” (FAPESP/FAPEAL); e atuação no projeto “Terra, Agroecologia e Universidade: articulando saberes, trocando experiências e construindo conhecimentos” (NuPER/CNPq) acabaram por me reaproximar da temática da questão agrária e da questão socioambiental. Assim, desenvolvo minha tese “A construção do agrário-ambiental no e do MST: O Assentamento Mário Lago como síntese se um projeto em construção. Atualmente estou no pós-doutorado junto ao Departamento de Educação da UFSCar e integro o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Política e Educação Escolar. Sigo também na militância, atualmente com a tarefa do setor de gênero. Nesse trilhar entre a militância e a academia compartilho as palavras do camarada Che: “Que a universidade se pinte de negro, que se pinte de mulato. Não só entre os alunos, mas também entre os professores. Que se pinte de operários e de camponeses, que se pinte de povo, porque a universidade não é patrimônio de ninguém, ela pertence ao povo”.