Denis Neves Fróes Junior

AUTO APRESENTAÇÃO DE DENIS NEVES FRÓES JUNIOR
“Eu sou o Denis Neves Fróes Junior. Carrego comigo uma hereditariedade na saúde e na ciência, desde a Dra. Francisca Praguer Fróes, uma das primeiras médicas formadas no Brasil e forte defensora dos direitos das mulheres, desafiando o seu professor a segurar uma cobra em suas mãos para mostrar sua coragem, passando por Ricardo de Lemos Fróes, um tio-avô que cientificou o nome de família através do gênero botânico Froesia, até o meu pai, Dr. Denis Neves Fróes, médico do trabalho que se preocupa genuinamente com a saúde do trabalhador e tem uma paixão indescritível pela saúde de quem ele atende. Apesar de eu ter escolhido a tecnologia como carreira por muito tempo, o campo da saúde sempre esteve em mim, especialmente a saúde mental. Um grande sonho meu sempre foi ‘dados neurais’, algo que parece muito mais real agora com o advento da Inteligência Artificial, então enquanto construía sites e uma carreira de programador / analista de dados, passava o meu tempo livre fazendo cursos de neurociência, neuro economia, filosofia, psicologia social, linguística, música clássica e o que me gerasse curiosidade. O conhecimento sempre foi a minha maior paixão!

Algo que sempre me puxou de volta para o campo da saúde foi a parábola dos 3 pedreiros. Desde que eu ouvi, eu soube que eu estava posicionado como o segundo pedreiro, que trabalhava para trazer dinheiro para a casa e prover para a família, mas eu sempre me senti anestesiado, querendo construir algo maior, um legado, algo que ficasse aqui por séculos, e sabia que na saúde ia conseguir isso. O ponto de virada veio quando ouvi o conceito de Lebenswende, da psicologia Jungiana, e sabia que o meu vazio interno era uma representação de que era hora de tentar isso. Abandonei uma carreira de quase 20 anos em tecnologia para começar “do zero” em psicologia.

Já estou nessa transição antes de conseguir minhas credenciais, onde construí um repertório de 336 questionários para trabalho em altura (NR-35) anonimizados e tratados com rigor de análise de dados para tentar entender as tendências e sutilezas que afetam esses trabalhadores. Fiz o caminho inverso do rigor acadêmico, estudando os questionários para construir um protocolo de triagem capaz de identificar marcadores de atenção para encaminhamento para avaliação psicossocial. Junto ao meu pai, Dr. Denis Neves Fróes, fomos capazes de ampliar o acesso de trabalhadores à atividade em altura sem renunciar ao cuidado, identificando casos através da triagem médica / escuta clínica ao invés de entrevista psicológica. Isso identifica com maior precisão quem precisa de encaminhamento e tratamento mais profundo, ao invés de trabalhar em um exame genérico que não enxerga ninguém.

Em paralelo, construí, junto à Dra. Silvia Helena Modenesi Pucci, uma revisão bibliográfica mostrando a eficácia da tecnologia (Realidade Virtual) para tratamento do Transtorno do Estresse Pós-Traumático, reunindo estudos dos últimos 10 anos que comprovam a sua comparação com o padrão-ouro do segmento, a terapia de exposição, e demonstrando quais são os próximos passos necessários para concretização dessa convergência, como a protocolização dos métodos. Ainda em paralelo, construí uma plataforma de psicologia clínica e ocupacional, a TerapiaConecta, capaz de unificar atendimento com acompanhamento ético e constante dos pacientes e trabalhadores, agora com a NR-1. A plataforma foi construída em uma base simples: a semana tem 10.080 minutos, e a terapia ocupa 50 deles. O que acontece nos outros 10.030? Quase sempre nada, e o que foi trabalhado no consultório se perde. A plataforma existe para ocupar esse intervalo com prática clínica de base científica (diário de humor, registros cognitivos, expectativa vs realidade) para que o cuidado não termine quando o paciente fecha a porta do consultório.

É isso que me traz até aqui. Trago a tecnologia, que constrói ferramentas em semanas; a ciência, que dá método e mensuração; e a clínica, que põe tudo à prova. Esse não é um fim em si. A minha proposta é a convergência disso para um foco específico: que a trabalhadora e o trabalhador sejam vistos de verdade, medidos com honestidade e protegidos, e não filtrados por um questionário decorativo que responde à empresa e não a quem trabalha. A NR1 abriu, finalmente, uma porta institucional para a saúde mental no trabalho, e eu quero fazer parte dos profissionais dispostos a levar isso a sério. Chego a este campo com mais perguntas do que respostas, ciente da tradição e dos ombros sobre os quais piso, e é por isso que gostaria de aprender com vocês e contribuir com o que sei fazer, porque “I stand on the shoulders of giants, not because I want to be higher than others, but because they enable me to see further.” Não lembro exatamente onde ouvi isso e nem exatamente como era, mas achei interessante trazer para fechar a minha carta de apresentação.”

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