Organização: “Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora” IEA/USP, em parceria com o Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (DESMAD) – Ministério da Saúde.
Cooperação: portal de notícias Radar Democrático: https://radardemocratico.com.br/
Quando: 28/04/2026 (3ªf)
Horário: 14h00 – 16h30
Local: Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP), Sala Alfredo Bosi
Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo, SP
Evento Presencial com Transmissão pelo canal do YouTube do IEA
PROGRAMAÇÃO
- Abertura: René Mendes – Coordenador do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora – IEA/USP.
- Coordenação e Mediação: Rogério Bezerra da Silva – Geógrafo, membro do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora (IEA/USP) e articulista do Radar Democrático, com atuação nas áreas de políticas públicas, território, trabalho e saúde, articulando produção acadêmica crítica e debate público. Consultor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (DESMAD)– Ministério da Saúde.
PALESTRANTES CONVIDADOS:
- Luci Praun – Socióloga, doutora e mestre em Sociologia pela Unicamp, com pós-doutorados em Ciências Sociais (Unifesp) e Sociologia (Unicamp). Professora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP – campus Baixada Santista).
- Tânia Maria de Araújo – Psicóloga, doutora em Saúde Pública, professora titular da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Coordena o Observatório Nacional Saúde Mental e Trabalho, Integrante do Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora (IEA/USP).
- Bruno Ferrari Emerich – Psicólogo, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UNICAMP, com pesquisa centrada na desinstitucionalização em saúde mental. Atua na formação de profissionais, na docência e na produção acadêmica, com ênfase em abordagens territoriais e interdisciplinares no SUS. Atualmente, exerce o cargo de Coordenador-Geral da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), do Ministério da Saúde.
SINOPSE (release)
A produção acadêmica contemporânea tem acumulado evidências consistentes de que o adoecimento mental relacionado ao trabalho não pode ser compreendido como fenômeno individual, tampouco circunscrito ao campo estritamente clínico. Trata-se de um processo socialmente determinado, profundamente vinculado às formas históricas e contemporâneas de organização e gestão do trabalho. A intensificação produtiva, a precarização dos vínculos, a flexibilização de direitos e a ampliação de mecanismos de controle e vigilância configuram um cenário que incide diretamente sobre a subjetividade, as relações sociais e as condições de vida dos trabalhadores.
No âmbito da Saúde do Trabalhador, pesquisas têm demonstrado que o sofrimento psíquico, os transtornos mentais comuns, a depressão, a ansiedade e a síndrome de burnout estão associados a contextos organizacionais marcados por alta demanda, baixo controle sobre o processo de trabalho, reduzido suporte institucional, conflitos éticos e insegurança laboral. A lógica da produtividade e da gestão por resultados, predominante no mundo contemporâneo do trabalho, tende a individualizar o sofrimento, deslocando para o trabalhador a responsabilidade por processos cuja origem é estrutural. Tal deslocamento contribui para obscurecer as determinações sociais do adoecimento e reforça abordagens medicalizantes que fragmentam o problema.
Mais do que discutir sintomas, o Seminário pretende contribuir para a consolidação de um campo de investigação que analise causas estruturais. Mais do que individualizar o sofrimento, busca situá-lo nas dinâmicas sociais, políticas e econômicas que o produzem. E mais do que registrar problemas, almeja fortalecer uma produção acadêmica comprometida com a construção de alternativas institucionais e coletivas voltadas à promoção de condições dignas de trabalho e à proteção efetiva da saúde mental.
É nesse contexto que o 23º Seminário Interdisciplinar promovido pelo Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora, no IEA/USP, tem por objetivo impulsionar a produção acadêmica crítica e socialmente engajada sobre a relação entre organização do trabalho e adoecimento mental, promovendo um debate interdisciplinar que articule teoria, pesquisa empírica e experiência social, de modo a fortalecer agendas de investigação, publicações científicas e projetos de extensão comprometidos com a transformação das condições de trabalho.
PÚBLICO-ALVO:
O Seminário dirige-se prioritariamente a sujeitos estratégicos para a produção e circulação de conhecimento acadêmico crítico:
- Estudantes de graduação e pós-graduação interessados em desenvolver pesquisas, trabalhos de conclusão, dissertações e teses sobre saúde mental, organização do trabalho e políticas públicas.
- Docentes e pesquisadores vinculados às áreas de Administração Pública, Saúde Coletiva, Psicologia, Serviço Social, Geografia e campos afins, comprometidos com a produção de conhecimento socialmente referenciado.
- Integrantes de grupos e núcleos de pesquisa, que atuem no campo da Saúde do Trabalhador, gestão do trabalho e políticas sociais.
- Profissionais e gestores públicos interessados em dialogar com a produção acadêmica e contribuir com dados, experiências institucionais e demandas concretas para agendas de investigação.
- Trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais, enquanto interlocutores fundamentais na construção de pesquisas comprometidas com a realidade social e com a transformação das condições de trabalho.
- Profissionais do SUS e da Vigilância em Saúde: potenciais parceiros na produção de pesquisas aplicadas e estudos que articulem conhecimento acadêmico e prática institucional.


