O modo como estamos organizando nossa vida como espécie está se mostrando incompatível com a equidade e com a sustentabilidade ambiental. Entre as suas características, que podem ser notadas em todo o mundo, estão a concentração de riqueza e de renda, o desemprego, a precarização do trabalho e as externalidades ambientais negativas. Tais agravos têm se acentuado nas últimas décadas em decorrência da financeirização, das atividades extrativistas que promovem a crise climática, do surgimento de estruturas ilegais que disputam o poder do Estado, e que se ampliam em um contexto de rápida difusão do paradigma tecno-econômico baseado nas Tecnologias de Informação e Comunicação.
A Economia Solidária, ao propor outra forma de organização da produção e da distribuição da riqueza, apresenta-se como um contraponto ao tradicional modo de organização da nossa vida, tendo a autogestão como referência civilizatória e a propriedade coletiva dos meios de produção como condição para viabilizá-la. Sua expansão demanda uma “plataforma cognitiva de lançamento” distinta daquela construída pelas e para as empresas que gera a tecnociência que assegura o lucro dos proprietários dos meios de produção.
Foi com este entendimento que o Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora propôs a criação deste Grupo Temático com objetivo de identificar as lacunas e os obstáculos a serem enfrentados no plano cognitivo para assegurar de modo autossustentável o fortalecimento do campo da Economia Solidária.
Neste sentido, buscará influir sobre a relação da Economia Solidária com Instituições de Ensino Superior e, ao mesmo tempo, vir a ressignificá-las e legitimá-las, fazendo com que suas agendas de ensino, pesquisa e extensão contemplem as demandas tecnocientíficas de um modo de organizar a vida, no qual a Economia Solidária é um ator portador de futuro.
Fazendo jus ao seu perfil institucional, o GT terá caráter plural, interdisciplinar, democrático e participativo, estabelecendo um diálogo crítico, propositivo e transformador da universidade com a sociedade, pautando-se pela produção coletiva de conhecimentos, incorporando saberes locais e experiências vividas, mantendo suas portas abertas a estudantes, pesquisadores, trabalhadores, gestores e formuladores de políticas públicas, sindicatos, entidades, coletivos e movimentos sociais que desejem somar esforços na construção de alternativas relacionadas à Economia Solidária.