O modo como estamos organizando nossa vida como espécie está se mostrando incompatível com a equidade social e com a sustentabilidade ambiental. Entre as suas características, que podem ser notadas em todo o mundo, estão concentração de riqueza e renda, desemprego e externalidades ambientais negativas, agravadas nas últimas décadas pela financeirização e pelas atividades extrativistas que desencadeiam a crise climática. Tornou-se essencial, por isso, a implantação de propostas capazes de ressignificar a reprodução da vida social, colocando as pessoas no centro, tendo como base o respeito intransigente à conquista e manutenção de direitos e à sustentabilidade ambiental.
A Economia Solidária, ao propor outra forma de organização da produção e distribuição da riqueza, capaz de compatibilizar equidade social e preservação ecológica, se apresenta como um contraponto a esse modo de organização de nossa vida. Por ter como referência civilizatória a autogestão e por reconhecer a propriedade coletiva dos meios de produção como uma condição para que ela ocorra, a Economia Solidária demanda uma “plataforma cognitiva de lançamento” distinta daquela construída pelas e para as empresas para assegurar sua lucratividade. Por ser engendrada num contexto sociotécnico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na heterogestão e na monopolização do conhecimento, ela tem com resultado uma tecnociência que, além de gerar crescentes disfuncionalidades nos planos social, econômico e ambiental, não é adequada para a expansão da Economia Solidária.
Foi com este entendimento que o Observatório do Trabalho e da Classe Trabalhadora propôs a criação deste Grupo Temático (GT), que tem como objetivos estudar essas questões, refletir sobre políticas públicas voltadas para a Economia Solidária e identificar lacunas e obstáculos que devem ser enfrentados no plano cognitivo para aumentar de modo autossustentável sua abrangência. Nesse sentido, buscará refletir sobre a relação da Economia Solidária com a Universidade Pública; sobre como a primeira precisa da segunda e, ao mesmo tempo, pode ressignificá-la e legitimá-la, na medida em que suas agendas de ensino, pesquisa e extensão passem a contemplar as demandas tecnocientíficas derivadas de um modo de organizar a nossa vida, no qual a Economia Solidária é um ator portador de futuro.
Com alcance teórico-conceitual ampliado, mas também profundamente conectado às experiências concretas, às vivências e às inquietações de suas organizadoras e organizadores, e em sintonia com os demais Grupos Temáticos (GT) do Observatório, este GT pretende trabalhar – ainda no 2º semestre de 2026 -nas seguintes modalidades e dinâmicas: